22
Ago 13

Travessia pelos três "montets" do Mont Blanc 4810m 
by Picos

O dia estava óptimo e os próximos continuariam assim e só havia esta oportunidade para aproveitar, no entanto ainda havia coisas para arrumar na mochila e as sandes para preparar. Dessa forma deixamos o restante grupo a disfrutar do Mer de Glace e voltamos ao “Acampamento Base”, o ultimo teleférico para Aguille de Midi era às 17H30 e nós tínhamos que ir nele. A ideia inicial seria bivacar nas instalações, pois o Cosmiques estava cheio, e partir nas primeiras horas do dia seguinte, fazer cume e voltar pelo mesmo caminho.

Com as mochilas preparadas partimos acelerados, no caminho para o Teleférico ainda vimos o helicóptero  a regressar ao hospital e encontramos o Paulo Roxo que nos avisou das dificuldades técnicas que encontraríamos pelo caminho - he pá será que isto é algum aviso - pensamos. Mas seguimos para o nosso objectivo.

A subida foi num instante, e fomos logo verificar a largura da famosa aresta de saída – apesar de bastante inclinada, menos mal, cabiam os dois pés lado a lado e ainda sobrava alguma neve para espetar o piolet, mas não permitia 
grandes dúvidas.

Mais umas fotos das vertentes a vencer no dia seguinte, analisamos as vias a tomar e as crevessas que já se viam da Aiguille de Midi. 

Bivacar ali poderia ser complicado e após um último contacto para o refúgio de Cosmiques, voilá, afinal tínhamos um lugar no chão para pernoitar. Boas noticias, preparamo-nos e cerca das 18H40 estávamos novamente a enfrentar a aresta, mas agora iríamos passar nela. Uma paragem, uma foto na aresta com Chamonix lá no fundo a 2800m abaixo.  Simplesmente fantástico. Seguimos, até ao Cosmiques foi um instante, e afinal até conseguimos dois lugares para dormir. Jantamos o que levamos, mais algumas fotos e fomos descansar. E enquanto um aproveitava para descansar o outro andava às cabeçadas contra as portadas da janela – enfim há pessoal gosta de sofrer.

De manhã o acordar seria à 1H00 para o pequeno almoço, onde era só pessoal de várias nações e idades. Partimos às 2H15 e lá começamos a nossa aventura. A noite estava estrelada e não estava frio, na encosta do Mont Blanc do Tacul avistávamos na escuridão os frontais dos primeiros, uma imagem impressionante. Logo na subida do Mont Blanc do Tacul aparecia a primeira “dificuldade técnica” uma boa crevasse que não ajudava quem tivesse perna curta ou barriga gorda….

Vencida, continuamos a subida, e em cerca de 2 horas já tínhamos o Mont Maudit à nossa frente. Mais algumas dificuldades técnicas vencidas até que chegamos à parte mais complicada, uma crevasse a vencer seguida de uma subida bastante inclinada a ser feita à custa do piolet e dos crampons. O dia começava a clarear e poderíamos ver o que teríamos de subir, e uma fila de espera alertava para a dificuldade da situação. Decidimos ir encordados e tínhamos de confiar um no outro, um erro ali era fatal. Passo a passo, lá subimos até às rochas e depois novamente 
pela neve até ao colo. Estava feito, ao olhar para baixo a satisfação era muita. Ao olhar para a frente finalmente o Monte Branco ali tão perto e tão longe - poderia acontecer tanta coisa que não nos deixasse atingir o cume. Após um pequeno reforço das energias avançamos lentamente, pouco a pouco aos zig-zags, e com várias paragens para descansar e apreciar a paisagem fomos subindo até ao cume. Finalmente às 9H25 atingíamos o cume, metade estava feito, a satisfação já era muita e obviamente não faltou os cumprimentos e as fotos habituais (muitas). Após apreciar as vistas decidimos baixar pelo Gouter, a descida pelo Maudit seria bastante complicada e não quisemos correr mais riscos desnecessários. 

A aresta da descida era bastante longa e o Gouter parecia nunca mais aparecer. Chegámos, e claro fomos espreitar aquele refugio todo moderno. Depois disso veio a descida da encosta com as correntes, apesar de menos perigoso não dispensa a devida atenção, não faltava pessoal a subir por esta via. Mais uns quantas centenas de metros abaixo,  deixam de existir as correntes, mas a destrepada continua até chegarmos ao corredor da morte onde víamos as pedras a rolar… teríamos de atravessar aquilo. 

Aproximamo-nos, a passagem ainda tinha neve mas decidimos que não iriamos colocar os crampons, olhamos para cima, escutamos e decidimos avançar rapidamente mas com todo cuidado. Estava feito, a ultima dificuldade estava ultrapassada, agora só faltavam 1000 metros de desnível até ao Nid d’Aigle que o Jota queria fazer numa hora. Como loucos viemos a correr por ali abaixo (na medida do possível) para terminar a nossa aventura no café cerca do Nid d’Aigle a apreciar duas cevejas geladinhas que retemperaram o corpo e a alma. Eram 16H45 e a travessia do Monte Branco tinha terminado para nós dois com sucesso e imensa satisfação de ambos, agora sim podíamos dar por terminada esta fantástica aventura.

     

publicado por Vamos Ali às 19:17

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