01
Mai 12

Para que conste

 Sexta feira, 27 de Abril, 11 e 2 minutos. Ligação do Rocas convidando-me a integrar uma caminhada algo distante. Respondi-lhe que tinha pensado numa mais perto:

      - E onde?

      - Gerês.

      - Também alinho. E se a publicitasse?

      - Faz tu isso.

Sentindo o peso da responsabilidade de guiar um grupo, tentei pensar depressa e bem.

Às 11 e 16 horas transmiti o trajecto paisagístico-cultural a realizar: Sirvozelo – Pejeirós – Gafaria – Miradouro da Cascata de Pitões – Mosteiro de Santa Maria das Júnias – Pitões (Taberna Celta) – Aldeia Velha do Juriz – Capela de S. João – Cornos de Candela – Ribeiro da Biduíça – Alto da Corga do Abelheiro – Portela de Ramos – Sirvozelo.

Condição imposta pelo Rocas: abaixo dos 30 Km.

- Como a classifico? Horas e ponto de encontro?

- Médio/alto; 7 e 45; Montalegrense 2.

Revi a matéria cultural – Mosteiro e Aldeia Velha. O trajecto conhecia-o ou tinha uma ideia.

Fui o primeiro a chegar ao ponto de encontro. Vieram depois o Rocas e o Tempestade. Estava a equipa completa. Pelo avançado da hora não chegaria mais ninguém.

Entabulámos conversa com um amigo que ia integrar um grupo de montanheiras/os a serem guiados pela White Angel. Na eminência de ficarmos apenas dois pelo efeito que os perfumes feminis pudessem provocar na pituitária de alguém (?), arrancámos rapidamente(!).

Às 9 e 50 deixámos o carro, a 10 minutos da Portela de Ramos.

Com 20 minutos de mochila às costas resolvemos atravessar o Ribeiro Dola, não em Pejeirós, mas no Sudro, pois o nível da barragem está muito baixo e pareceu-nos fácil atravessar o curso de água. De perto a coisa complicou-se, mas ao fim de 10 minutos de busca e entreajuda, conseguimos atravessar aquele curso de água em segurança.

Chegámos à Gafaria num ápice. O Ribeiro do Beredo foi atravessado às 11 e 5 e o do Campesinho trinta minutos depois. Antes de “atacarmos” a íngreme encosta que nos conduzia ao Miradouro da Cascata, “atacámos” o farnel. Colhidas as fotos da praxe à imponente cascata, seguimos para o mosteiro de Santa Maria das Júnias. Os dois compinchas tiveram alguma paciência para ouvirem algumas generalidades (e pormenores) sobre este degradado monumento. Eram 12 e 40 e “aparelhamos melhor o estômago. Pelas 13 e 20 irrompemos pela Taberna Celta onde completamos a refeição com um bolinho (ou rissol?) acabado de inventar pelas 2 jovens ao serviço daquele espaço. Depois das bebidas e algumas conversas profícuas com as referidas meninas e um grupo de bttistas acabados de chegar, abandonámos o espaço perto das 14.

Cerca de 15 minutos depois atravessámos as vetustas ruínas da Aldeia Velha do Juriz. Aqui não massacrei muito os meus companheiros.

Um pouco abaixo entabulámos conversa com um cavalheiro orientando um grupo de crianças: incentivava-as a recolherem e cortarem ramos de árvore caídos que carregavam um pequeno veículo. Incutia assim nas crianças a necessidade de proteger o meio ambiente contra o risco de incêndio e, simultaneamente, incentivava o uso de energias renováveis para aquecimento e confecção de alimentos.

Às 14 e 55 alcançámos a Capela (o nosso ponto mais alto do percurso -1168 m). Vista soberba sobre uma grande parte do Gerês!

Depois de uma curta paragem e determinação da rota a seguir, iniciámos a descida daquele enorme pináculo granítico em direcção aos Cornos de Candela.

Era a parte do percurso mais agreste e trilhos pouco definidos ou inexistentes. Pelas 15 e 30 tivemos de atravessar uma linha de água com um volume e corrente assinaláveis. O guia, porque munido de umas “botas” especiais (de 16€!), atravessou o ribeiro com 3 saltos rápidos e precisos; o Rocas, homem de ciência(s) e pragmático, encontrou, poucas dezenas de metros acima, o local propício para transpor o obstáculo; o Tempestade optou por descalçar as botas e meias e tirar a temperatura à água.

Pelas 16 e 15 tínhamos os Cornos (de Candela) por cima das nossas cabeças e, pouco depois, 16 e 50, atravessávamos o Ribeiro da Biduiça em dupla etapa, junto à confluência de duas (grandes) linhas de água.

O alto da Corga do Abelheiro foi alcançado às 17 e 10 e 45 minutos depois alcançávamos o estradão na Portela de Ramos. A panorâmica deste último percurso é espectacular e nem o frio, o vento gélido e a chuva impediram o seu usufruto. Víamos para os lados dos Carris e Fonte Fria uma muralha translúcida esbranquiçada que indiciava claramente a queda de neve.

Alcançado o carro e mudada a indumentária, rumámos a Cabril (18 e 55) onde, no Restaurante da Ponte Nova, aconchegámos o estômago e convivemos com a proprietária.

A aventura terminou no ponto de encontro por volta das 20 com a nítida sensação de um dia plenamente vivido. Venham mais destes!

NB – Apesar do propósito inicial de construir um relato sucinto, acabei por alongá-lo com alguns pormenores/notas que reputei de interessantes nestes cerca de 25 Km de paisagem, aventura, convívio e cultura.

 

GM

publicado por Vamos Ali às 19:00

Segue-nos no

subscrever feeds
pesquisar