02
Abr 13

Sumula pelo Libelinha:

 

“Sempre vejo fotos de alpinistas no alto da montanha. Eles estão sorrindo, em êxtase, triunfantes. Mas ninguém tira fotos durante o trajeto. Pois quem quer se lembrar do resto? Nós forçamos nossos limites porque somos obrigados. Não porque gostamos. A escalada mais difícil… A dor e a agonia de passar para o próximo nível… Disso ninguém tira fotos. Ninguém quer se lembrar. Só queremos lembrar da vista lá de cima. O momento glorioso no limite do mundo. É isso que nos faz seguir escalando. E vale por toda a dor. Vale por tudo.”

Grey’s Anatomy S06E17

 

Porquê será que gostamos de subir montanhas?
Ainda não conseguimos entender bem o porquê…

 

                Já há bastante tempo, que estava programada a ida ao Curavacas e ao Espigüete. As condições meteorologicas e as datas não ajudavam. Mas, num apice como de um dia para o outro, abriu-se uma “janela de tempo”. Saímos na sexta à noite em direcção à Fuentes Carrionas. Chegamos às 5 da manhã, à região das Montanhas Palentinas, e fomos montar o nosso “campo base”, num abrigo de pescadores que naquele fim de semana se tornou num abrigo de montanhistas. Após a longa viagem, descansamos durante duas horas. O dia tinha amanhecido e com ele viam-se os primeiros flocos de neve que pairavam no ar. Após os preparativos, abandonamos o abrigo e fomos em direcção à pequena aldeia de Vidrieros, onde começamos  a nossa ascenção ao Curavacas. Saimos da aldeia, passando os campos de cultivo e seguimos sempre junto à ribeira, pelo trilho rochoso e escorregadio. Após passarmos a vegetação, lá estavamos nós no sopé da Montanha. Ela não se via, a visibilidade não era muita mas fomos seguindo em direcção ao nosso objectivo. Começamos a subir, a “dançar” com a Montanha, sempre aos ’S’s. O vento fazia-se sentir. Paramos antes de entrar no Calejo Grande e equipamo-nos. A partir deste momento começava a verdadeira subida, de certa forma facilitada, pois não eramos os primeiros a abrir a via. Fomos subindo pelo trilho criado pelo grupo com o qual nos cruzariamos já bem perto do nosso objectivo do dia. Num dos últimos patamares da nossa subida, encontramos uma formação de gelo que mereceu toda a nossa atenção que foi ultrapassado por todos, tendo depois à nossa frente um crista até chegarmos ao cume. Lá foi a alegria global, pois tinhamos atingido parte do objectivo. Chegar ao cume! Seguiram-se as fotos, os abraços e os parabens por termos alcançado o que nos movia. Seguia-se o momento da descida, com alguns passos que tinham de ser feitos em segunrança e que correram bem. Descemos e voltamos pelo mesmo trilho. Já em Vidrieros, fomos comemorar e confraternizar o nosso objectivo concretizado.

O plano traçado inicialmente, que era irmos de imediato para outro refúgio, no sopé do Espigüete, foi alterado, pois obrigava a mais uma caminhada de aproximadamente uma hora, já com pouco tempo de luz solar, e o cansaso era grande depois de uma noite de condução e uma actividade exigente como a que tinhamos realizado. Era necessário retemperar forças, pois o dia seguinte, iria de igual modo ser exigente. Decidimos voltar ao refúgio dos pescadores, que mais uma vez, se tornou o nosso “campo base”. Já no refúgio, as tarefas foram dividas naturalmente. Enquanto uns iam apanhar lenha, outros descarrgavam as mochilas do carro. Após as tarefas iniciais prontas, deu-se inicio ao belo repasto. Tudo em cima da mesa era de todos. O ambiente era agradavél e a fogueira aconchegava. Após o jantar, preparamos as nossas mochilas e fomos descansar.

No dia seguinte, acordamos cedo. Tomamos o pequeno almoço, carregamos o carro e fomos em direcção ao Espigüete. Durante o caminho e com um dia de sol, dava para ver a grandiosidade da Montanha, à qual nos tinhamos proposto. Estacionamos no parque de estacionamento que dava origem ao trilho por onde iriamos seguir até começarmos a subir. Durante o trilho, o sol ia dando o ar da sua graça até chegarmos à cascata de Mazobre. A partir deste ponto começamos a subir e de que maneira. A inclinação do terreno mudou drásticamente, assim como as condições meteorológicas. A Montanha parecia que tinha vida própria e não queria que estivessemos ali. O vento, o nevoeiro, a neve estavam de volta. O grupo estava forte e coeso, e tinha como objectivo chegar ao cume. Lá fomos nós, novamente subindo e dançando com a montanha. Ao meio da subida, paramos numa gruta que serviu para retemperar forças para o ataque final, já na parte mais inclinada do percurso. Neste dia fomos os primeiros e únicos a abrir o trilho. Fomos ganhando os metros finais, mas também foi necessário perder esses mesmos metros, pois a opção tomada não iria ser a melhor. Voltamos a ganhar altitude e chegamos à crista que nos levaria ao cume. Lá foi novamente a alegria, os abraços e as fotos que registou aquele momento. O momento, os nossos cinco minutos de fama. Nós e Ela, a Montanha!

Mais uma vez, foi necessário um plano B. A descida não iria ser feita por onde estava programada. Descemos por onde subimos, pois assim iriamos fazer o percurso de retorno em segurança. O percurso que demorou seis horas a subir, foi feito em três horas… a descer. Desta vez a descida foi feita com extrema alegria. A neve estava propícia para fazer os inevitáveis “skus”. Após a descida até o carro, fizemos a viagem de regresso até casa, não sem antes pararmos em Sanábria, para um pequeno lanche junto ao rio com vista para o castelo.

 

E foi assim, que FOMOS ALI…

Porque subimos nós a estas montanhas???
Ainda não descobrimos…

Até descobrirmos, continuaremos a subir!!!

publicado por Vamos Ali às 11:07

comentário:
Fantástico ;-)
Sherpa a 2 de Abril de 2013 às 23:36

Segue-nos no

pesquisar