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Out 17

Há uns anos atrás li um livro que de forma magistral conseguiu romancear um dos episódios mais sangrentos da humanidade. Provavelmente um dos melhores livros escritos no século passado.
Curiosamente, este enredo é passado não muito longe de onde me perdi em pensamentos acerca desta história, numa caminhada, com longos períodos em silêncio.
Resumidamente a historia gira em torno de um grupo de rebeldes, que têm como objetivo destruir uma ponte nas proximidades de Segóvia e assim impedir o avanço das tropas nacionalistas sobre Madrid. Durante aquelas cerca de 500 páginas, além da descrição das condições de vida miseráveis em que se encontrava aquela gente, isolados no meio da serra, o escritor explora de forma sublime a relação entre sentimentos tão díspares, como paixão, solidão, amor, ódio, miséria, terror, inveja e morte.
Entretanto enquanto revia a história mentalmente, chamou-me à atenção uma daquelas imagens que talvez nos assaltem quando vivemos aquele ambiente: praticamente não há qualquer ligação entre aquele grupo e as linhas de comando. Durante toda a história, aquele grupo de pessoas vive fisicamente isolada, apenas em função de um objetivo: a destruição de uma ponte, sem terem qualquer consciência do desenrolar da guerra. Ali estão eles, prontos a arriscar as suas vidas, a lutar por um ideal (república) que provavelmente, nem eles conhecem, mas que justificam pela pequenez da sua existência humana – são meros soldados naquela guerra, a qual deixou de ser um meio, para se transformar num fim em si mesmo. Não é questionada a natureza da guerra, mas sentem o desígnio de cumprir o seu papel naquele conflito. A necessidade de terem um objetivo, por que lutar. O propósito de vida daqueles rebeldes era mesmo darem a vida pela destruição daquela ponte algures entre Segóvia e Madrid.
E foi à volta desta imagem que divaguei umas horas naqueles cumes: Como é possível alguém ter um propósito, mante-lo intacto em condições que só o próprio consegue entender serem suportáveis … ao ponto de dar a vida por ele? Como é que é possível que um propósito tão radical como a guerra, a destruição, o extremar da condição humana seja tão “legítimo” e inamovível, como um desígnio de vida? Como é possível que esse desígnio de morte se transforme num coletivo? Como é possível que paixão e terror convivam de mãos dadas desta forma? Afinal qual é o preço que nós vemos na vida humana?
Pessoalmente este é para mim o grande valor deste escritor: transportar-nos de uma aparente história de guerra, para divagações sobre a condição humana.

 

(Por quem os Sinos Dobram - https://pt.wikipedia.org/wiki/Por_Quem_os_Sinos_Dobram)

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 Texto e Fotos do Tempestade

publicado por Vamos Ali às 10:05

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