28
Jul 14

No fim-de-semana passado, 19 20 de Julho, os caminheiros do Norte desceram ao sul e alguns meninos e meninas do Sul encontraram-se com este grupo de meninose meninas do Norte…Juntos, e aspectos geográficos à parte, fomos todos ALI, caminhar na Serra de Montejunto, e depois também fomos ALI, à Foz do Arelho, para jantar e pernoitar, no Parque de Campismo da Orbitur.

 

No sábado, de manhã, depois de um primeiro “ajuntamento” no Largo da Biblioteca das Caldas da Rainha, com objectivos de organização logística, a caravana automóvel seguiu para Montejunto, onde, por volta das 11 horas, nos juntámos aos outros caminheiros que vinham ainda mais do sul…Às 11h20m estávamos a fazer as primeiras fotos de grupo, junto ao Centro de Interpretação, e, pouco depois, iniciámos o percurso pelo bosque.

 

A serra que escolhemos para a nossa caminhada situa-se entre os concelhos do Cadaval e Alenquer, no alinhamento montanhoso do Maciço Calcário Estremenho e é uma serra que nos oferece uma grande diversidade paisagística. Em dias limpos (não foi o caso…) pode-se avistar as Berlengas, a oeste, a Serra de Sintra, a sul, as lezírias do Tejo, mais para sudeste.

Para além da diversidade paisagística, a serra conta ainda com uma impressionante variedade de flora, com mais de 400 espécies identificadas, sendo igualmente diversificada a sua fauna, pois aqui nidificam mais de 70 espécies de aves.

A serra é o miradouro mais alto da Estremadura, com os seus 666m de altitude (666m? ó, diabo…!). Geologicamente, esta estrutura cársica, com 15 kms de comprimento por 7 kms de largura, é abundante em algares, grutas, lagoas residuais e outras manifestações próprias destas estruturas, como os lapiás, por exemplo, e as dolinas.

 

O nosso percurso, também ele muito diversificado, seguiu através do Caminho dos Burros, que assim se designa por serem esses os trilhos que, antigamente, eram percorridos pelos burros, carregados com blocos de gelo, até ao Carregado, junto ao Tejo, para, a partir daí, seguirem de barco para Lisboa, para abastecerem a corte, sequiosa de gelados e outras frescuras…

 

Após a descida, alcançamos o estradão, um bom pedaço de estradão… Ainda bem que o tempo estava fresco, pois sabemos que com a soalheira e já à hora de maior calor, aquele estradão pode parecer muuuuiiiiito mais loooongo. Pudemos até ser agradavelmente salpicados por uns pingos de chuva. Nada de grave, até soube bem…Entretanto, já a fome apertava e fizemos uma pausa para reconfortar os nossos estômagos…

 

Uns quilómetros mais à frente, chegámos à cascalheira e por aí demos início à subida até às antenas. Vale a pena ir subindo e ir olhando para trás porque aquele vale, aquele grande V que recorta a paisagem, é de grande beleza. Também lá em cima, já perto das antenas, a travessia do prado é verdadeiramente um prazer para os sentidos. Nesta altura da caminhada já temos o olfacto bem apuradinho e reconhecemos uma série de odores aromáticos: o alecrim, os orégãos, os poejos, o tomilho… Abrem-se as narinas porque queremos absorver tudo. E há quem não resista e vá colhendo uns raminhos, pensando nas virtudes destes aromas nas artes culinárias.

Chegamos às antenas do emissor da RTP e radares que vigiam o espaço aéreo e a costa portuguesa. Estamos no cume da serra, cuja cota máxima é de 666m.

À nossa volta temos a Ermida da Senhora das Neves e as ruínas do primeiro Convento da ordem dos Dominicanos em Portugal. A partir daqui, descemos de novo por um pequeno trilho, em direcção ao Centro de Interpretação, que visitámos à chegada. Encurtámos um pouco a nossa caminhada e não fomos à penha do meio-dia, devido à hora, muito para lá do meio dia…

Entrámos no Centro de Interpretação para uma breve visita e seguimos para Real Fábrica do Gelo, já com a nossa guia do Centro.

 

A Real Fábrica do Gelo

 

“ O hábito de saborear gelado e matar a sede com bebidas frescas nos dias de Verão terá vindo de Espanha e foi introduzido em Portugal pela corte de Filipe II. Não existindo ainda as modernas tecnologias de refrigeração, o recurso à neve e ao gelo constituía a única alternativa possível.”

A Fábrica encontra-se no meio de um frondoso bosque de castanheiros. Não muito longe, o Forno de Cal. Ambos os edifícios foram construídos na segunda metade do século XVIII. Mesmo ao lado da Fábrica, os tanques de congelação.

Na fábrica havia dois sectores distintos: sector de produção, cuja área era composta por 2 poços de extracção de água, uma casa da nora, um tanque de pré-enchimento e 44 tanques de congelamento.

Durante a noite formava-se uma fina camada de gelo no interior dos tanques. De madrugada, o guarda da fábrica ia à povoação mais próxima e, com a sua corneta, chamava os trabalhadores para irem recolher o gelo, antes do nascer do sol. O gelo era partido, embrulhado em rodos e transportado às costas para os silos de armazenamento.

Neste sector, composto por 2 silos interiores e um exterior, o gelo era armazenado para posterior expedição. Nos silos o gelo ficava acondicionado até aos meses de Abril ou Maio. Depois, era prensado até formar blocos que se embrulhavam em serapilheira ou palha, e depositavam-se no silo exterior. O transporte era, então, feito durante a noite e a descida da serra fazia-se em burros até ao sopé. Daqui era colocado em carroças, que seguiam para a Vala do Carregado, e daí, em barcos, pelo rio abaixo até Lisboa. Quando chegava ao Terreiro do Paço, seguia para a Casa Real e para alguns cafés emblemáticos de Lisboa, como o Café Martinho da Arcada e o Café Gelo.

 

A nossa caminhada e visitas deu-se por finda por volta das 17h30. Quero acreditar que estávamos todos felizes e aromatizados pelos cheiros da serra…

 

(Este texto foi escrito em total e propositado desrespeito pelo Acordo Ortográfico)

Pyrenaica

publicado por Vamos Ali às 13:19

comentários:

Uma vez mais obrigado às nossas anfitriãs ;-) 

sherpa a 28 de Julho de 2014 às 18:59

Nós também gostámos muito de vos ter por cá e sentimos a falta de todos os que não puderam vir.
beijinhos
pyrenaica a 28 de Julho de 2014 às 22:33

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