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Out 13

RELATÓRIO DO TRILHO DOS ACURRALADADOS

A subida começa como a dum caminho para o céu com um pequeno escadório elevatório que expurga as almas, neste caso não dos pesados pecados mas das pesadas passadas. E as almas cansam-se subindo a ladeira por carreiros ladeados de arvoredo ora típico do nosso clima ora exótico, mas sempre embrenhando-nos com o seu encantamento, ao que muitos apelidam de bosque encantado. Os frutos maduros rubescentes brilham como luzernas em arbustos ou árvores arbustivas, apelativos, macios e doces ao paladar. Na expurgação das almas, umas caminham mais com intenção de chegar primeiro ao céu, pelo menos ao seu céu, enquanto outras se "langareiam" com dificuldade pelo caminho como serpente mítica espreguiçando-se nas encostas das serras do Éden, mas lá vão subindo. Terminado o bosque que encanta, segue-se um estradão mais aberto de vegetação com árvores mais altas e esparsas e arbustos menos consistentes e que mais se rarefazem até se chegar a um prado cimeiro aberto para o céu e a penedia circundante a Norte. As almas chegam espaçadas, as primeiras repousam e do curral se acercam, tiram fotografias talvez na esperança de ficarem tão imortais como estas pedras que assistiram, não digo a toda a evolução da vida, mas a toda a evolução da espécie humana devido aos milhões de anos da sua existência como tal, rochas como são e como estão ainda. Estas pedras mudas, pelo menos para os nossos sentidos e linguagem, se as entendêssemos o quão sábios nos tornávamos e elas bíblias seriam da sabedoria evolutiva. Chegados os últimos e depois duma leve confraternização, o caminho se segue por um corgo menos íngreme e quase plano com árvores mais baixas e raras deixando ver as cumeadas rochas mais além e os vales arborizados acercando-se das linhas de água pela encosta abaixo. O segundo curral aparece num campo amplo aberto ao céu do Sul e, mais do lado Norte situa-se propriamente o curral, com duas carvalheiras enormes como dois baluartes ou porta-estandartes dum templo mítico que a direção do céu mostram. O curral foi aumentado para acrescentar qualidade de vida a quem dele necessita para trabalho e que funciona como aproveitamento de caminhantes que estes caminhos calcorreiam para se exercitarem fisicamente, ou expurgar as suas maleitas mais psíquicas. O repasto é confecionado pelo meio da confraternização. No final da confeção do repasto lançaram-se a ele a s almas como uma colónia de abutres sobre uma carcaça. Terminada a carcaça os abutres ainda espreguiçam-se um pouco mas levantam, não voo porque asas não têm, mas o cu para encetarem a caminhada que a meio vai. Lá seguem em fila indiana com uns mais apressados e outros mais lerdos. Contudo, todos seguem sem repararem pausadamente nestas penedias que se erguem para o céu como crentes em meditação que preces ao céu fazem da sua vida cotidiana e dos seus problemas profissionais, familiares, amorosos, emocionais, etc. e que os louvam ao céu como sonhos e que descem como pragas depois de filtrados pela realidade. É que cada sonho é um pedaço de nós que vive para além do corpo. Chega-se ao miradoiro e mais uma vez uma sessão de fotos se inicia e que me leva pensar que se a paisagem pudesse fugir se punha a escapulir dali para não ser tão maltratada “papparazamente” pelas objetivas fotográficas. A descida se segue como para o inferno e até a temperatura sobe, desce-se e o bosque muda de espécies de árvores e toma-se em conta uma competição entre árvores em crescimento em que uma espécie de fora suplanta uma nativa. Desce-se até à vila onde se praguejam os cânticos de aniversário a uma alma caminheira. Bem, foi mais ou menos assim que se chafurdou “escrevinhadamente” este trilho pedestre.

Almas acurraladas participantes: Quebra-nozes, Messe, Celta, Drave, Castor, Avelã, Rocalva, Verne, Célia, Linda(Austrália), Xertelo, Rooibos, Charca, Vandoma, Gazela, Bambi, Pagali, Galo(Sergio), Galga-Montanhas, Pé-ante-pé, Açores, Liberdade, Leopardo, Rocalva, White, Adriano-Geoaventuras

 

Texto do Quebra -Nozes

 

publicado por Vamos Ali às 09:46

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